Como mudei para Londres com meus pets (passo-a-passo e dicas)

Por The London Ginger (To read this post in English, click here)
Sookie

Quando começamos a organizar a nossa mudança junto com nossos pets para Londres, acreditávamos que seria muito mais complicado, burocrático e difícil. Mas a verdade é que feito tudo com organização e bastante pesquisa para não deixar passar nada de importante, o trabalho não será tanto quanto parece. São etapas a serem seguidas e vou compartilhar nesse post a nossa experiência.

Nossa familia é formada por 2 cachorros, 5 gatos (todos resgatados/adotados) e dois humanos. Esse número assusta e é motivo para que as pessoas me digam frases como: “você é louca”, “como assim trouxe eles do Brasil?”, “deve dar um trabalhão”. E no dia a dia eles não dão tanto trabalho não, nossa rotina é tanto cheia de amor, risadas, diversão que o trabalho é bem menor que tudo isso. Não imagino minha vida sem os pets.

Mas vamos falar dos trâmites e organização para a mudança.

Em primeiro lugar é preciso verificar para qual lugar pretende levar seu pet, as leis de cada lugar são diferentes e os requisitos também. Aqui vou falar sobre Londres UK.

Até 2012, em Londres, existia uma “quarentena” que durava de 60 a 90 dias onde o pet ficava num “abrigo” (local destinado a esses pets que chegavam em Londres) e você era responsável pelos gastos, etc. Apenas depois desse período de tempo recebia a liberação para levar o pet para casa. Mas isso mudou e agora não é mais dessa maneira. (ainda bem, porque isso parece muito ruim.)

A “quarentena” agora é o período que vai da data da colheita do exame de sorologia, até a data que sai o laudo permitindo a viagem do pet (esse período dura 90 dias). Vou explicar sobre esse exame mais adiante.

Definido o lugar da mudança e verificada as leis e regras é hora de começar a preparar os requisitos. Eu aconselho 6 meses para poder organizar todas as coisas com calma, mas há como fazer em menos tempo, depende da urgência de cada um.

Quais são os passos na preparação dos pets?

  1.  Microchip – o pet deverá ser microchipado (guardar o documento com o número do microchip porque será necessário apresentar juntamente com os outros documentos);
  2. Vacinação – V10 cachorros/ V8 gatos e anti-rábica;
  3. Exame de sorologia – um mês após a vacinação fazer um exame de sangue, que será levado para a Zoonose ou CCZ da sua cidade para gerar o laudo após 90 dias que permitirá a viagem do pet caso o exame não aponte nada irregular. Caso alguma irregularidade seja encontrada, o pet deve ser tratado e o exame refeito.;
  4. Atestado de saúde do pet – feito pelo veterinário atestando a saúde do pet.

Essa é a parte burocrática referente ao pet, agora vou falar sobre a passagem aérea, transporte e despachante.

Para outros países da UE (União Européia) não é necessário um despachante para cuidar da saída e entrada do pet, mas para o Reino Unido, Londres, é obrigatório.

Esse é um gasto a mais, até fizemos a pesquisa e cotação para ir para outro lugar e depois ir de carro para Londres, mas todas as possibilidades que pensamos custariam o mesmo valor ou algo muito parecido, então preferimos fazer da melhor maneira para nós, que foi contratar o despachante.

Optamos por usar o serviço da MM Cargo Logistics. Pesquisei várias outras no Brasil, mas eles tiveram as melhores recomendações e o melhor atendimento para tirar minhas dúvidas e preocupações. Foi essa empresa então que me indicou um despachante em Londres que já era um parceiro de trabalho deles – a JCS Livestock.

Minha experiência com a empresa foi excelente, durante toda a viagem (da hora que buscaram os pets em casa no Brasil, até a chegada dos pets na nossa casa em Londres) eles me mantiveram informada sobre cada etapa da viagem com mensagem e até fotos dos pets antes de embarcarem eles me enviaram. Isso me deixou muito mais tranquila.

Outro ponto crucial da minha pesquisa foi sobre as companhias aéreas. Depois de muito ler e conversar com as companhias só me sentia segura em fazer essa viagem pela Lufthansa ou pela KLM. Fechamos com a Lufthansa.

A passagem aérea é cobrada pelo tamanho da caixa de transporte que o pet vai. Eu dividi os pets nas caixas e alguns foram em duplas e outros sozinhos. O valor (por caixa e não por pet) ficava entre 200 e 300 Euros (esse valor varia de companhias).

A caixa de transporte precisa caber o pet, ele tem que poder dar uma volta nele mesmo (Espaço suficiente para se mover). Se o pet mais a caixa de transporte pesar até 9kg (aprox. 20lb) você poderá transportar no avião na cabina com você (isso vale para alguns destinos, Londres não era o caso), pesando mais que 9kg o pet vai viajar no bagageiro.

Mas não se assustem, ao contrario do que algumas pessoas pensam, o espaço para a viagem dos pets é climatizado e preparado para esse tipo de transportes, animais de grandes portes como cavalos, tigres etc, também fazem esse tipo de viagem nesses aviões.

No momento que for comprar a passagem, você já irá reservar o lugar para a viagem do seu pet, porque o número de pets é limitado para cada vôo.

A escolha das caixas de transporte também é importante, elas precisam ter algumas especificações adequadas, determinadas pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Eu optei pela marca Pet Mate, mas existem uma variedade de marcas diferentes. Se você tem alguém que pode comprar no exterior e levar para você será muito mais em conta, porque realmente o valor dessas caixas no Brasil é muito maior que nos EUA ou Europa.

Para a viagem preparamos as caixas de transporte com jornal, tapete absorvente e um cobertor que os pets já usavam para dormir em casa, assim o cheiro seria algo familiar a eles, o que ajuda para que fiquem mais calmos. Colocamos um pouco de ração num saco plástico a pedido da empresa que iria despachá-los.

Ao chegar em Frankfurt (o vôo era com escala), os pets foram alimentados, colocaram água em cada uma das caixas de transporte, e um veterinário viu os pets para verificar se estavam todos bem.

Eu despachei os pets do Brasil e o Leo que já estava em Londres recebeu eles por lá. Nossa experiência foi muito positiva, os pets saíram e chegaram muito bem, sem nenhum sinal de trauma ou comportamento estranho, nós junto dos veterinários que nos auxiliaram optamos por não dar nenhum tipo de medicamento para os pets. Estávamos preocupados que açodassem durante a viagem, já que não existe sedação que durasse todo o trajeto (lembrando que isso se trata da nossa experiência e opção. Cada um deve optar por fazer o que acha melhor para seu pet).

Ao chegar na nossa casa em Londres eles estavam bem, já foram reconhecer o novo espaço da nova casa, comeram, beberem agua e seguem muito bem até hoje.

Não vou mentir e dizer que não ficamos com medo, preocupados, afinal era a primeira vez que passávamos por uma situação dessas, mas era só o medo do desconhecido.

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