Spoon – Hot Thoughts (Review do Album)

Por Leo Melo (To read this post in English, click here)
Spoon Hot Thoughts

Avaliação:  

Preciso confessar. Me sinto envergonhado em dizer que eu nunca escutei Spoon antes desse disco. E com isso quero dizer que até hoje não havia voluntariamente escutado um disco do Spoon. Músicas deles fizeram parte de trilha sonora de filmes como “(500) Dias Com Ela” e o remake de “Poltergeist” (especialmente eu que sou fã de filme de terror). Então sei que em algum momento já escutei músicas da banda.

Ao escutar o disco, tive um daqueles momentos agridoces que a vida nos proporciona. Por um lado me senti culpado por nunca ter escutado essa banda, pois as músicas deles são incríveis. Por outro, foi uma descoberta tão satisfatória, que eu não consegui parar de escutar tudo que já fizeram até agora. E por ser uma banda que lançou nove álbuns até agora, existe material suficiente pra curtir por dias sem fim.

Se existe algo que eu aprecio demais em bandas é a habilidade de amadurecer. Bandas que aprendem quem eles são e desafiam as próprias habilidades de composição a cada álbum, é algo maravilhoso de acompanhar. Eu acredito que esse é o caso com a banda Spoon. A cada novo lançamento ele mudam apenas o necessário para que possamos ver na primeira fila o seu progresso.

O álbum mais recente que lançaram chamado “Hot Thoughts” demonstra não apenas a maturidade da banda, mas a capacidade que tiveram de aprender e se inspirar com seus contemporâneos. É relativamente fácil perceber influências de outras bandas nesse disco. E apesar de eu não ter lido nenhuma matéria que tenha confirmado essa minha presunção, acredito que algumas referências são fáceis de reconhecer.

A primeira música do álbum recebe o mesmo nome que o disco – “Hot Thoughts”. Ela tem uma combinação de riffs das guitarras do vocalista Britt Daniels e guitarrista Rob Pope, misturadas com sinos e palmas que colaboram com o ritmo geral da música. Um começo perfeito para um álbum.

WhisperI’lllistentohearit” é provavelmente um dos títulos de música mais perfeitos que já vi. E a música não fica pra trás. Ela começa com uma sessão instrumental e vocais harmoniosos – para no meio dar uma guinada para um indie moderno. No segundo trecho, a mistura lembra bastante uma mistura entre Arctic Monkeys e Arcade Fire. A música pra mim é um paradoxo. Essa mudança parece tanto uma música diferente e ao mesmo tempo parte da música.

Do I Have To Talk You Into It” é uma música marcada por um ritmos contante da bateria, baixo e teclados de tal maneira que sua cabeça não consegue evitar balançar na batida. Não precisa mais que alguns segundos pra se apegar a essa música.

First Caress” tem uma característica que eu sou fascinado. Os backing vocais e os overdubs são gravados quase como sussurros, dando a sensação de que as vozes estão sendo cantadas ao pé do ouvido. Não tem coisa melhor que escutar essa música com um belo par de fones de ouvido.

Outra música que eu adoro no disco é “Pink Up”. Ela começa com dois minutos apenas instrumentais. Logo ela toma um rumo vocal característico de Bon Iver, como várias camadas de vozes, transformando as vozes em instrumentos melódicos.

Tear It Up” – uma pegada extremamente britânica (não esquecendo que Spoon é uma banda de Austin, no Texas). Isso é tudo que tenho a dizer. Vai ficar claro assim que escutar a música.

Shotgun” é a música mais rock’n’roll do álbum. Um riff de guitarra poderoso é acompanhado por uma marcação fixa do baixo. A música tem uma pegada de trilha sonora. Se fizessem um filme inspirado nesse disco, essa música seria a música de abertura.

Finalmente, “Us” não pode faltar nesse review. Uma música extremamente sexy e suave, com foco principal em instrumento de sopro (especialmente saxofone), com um efeito na gravação que dá a sensação de estar escutando em um auditório. No meio da música entram bateria e percussão, complementando a pegada. O fim perfeito para um álbum maravilhoso. Tão perfeito que essa música parece apenas um intervalo, dando um respiro que cria em você a vontade de começar o disco novamente.

Escute o disco no Spotify:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *