Dualib – Auroras (Review do EP)

Eu preciso começar dizendo que eu tenho o privilégio e honra de ter esse artista como um amigo pessoal. Durante meus dias de professor de áudio, eu tive o incrível prazer de trabalhar ao lado desse músico brilhante. E foi lá que eu testemunhei como ele é brilhante, usando cada intervalo e cada chance que tinha pra trabalhar em suas músicas.

Criar música do zero é uma arte incrível, e algo que todos nós admiramos. Mas o Dualib faz música de uma maneira que não se ensina, or aprende. Ou você sabe fazer ou não sabe. Imagine um brilhante chef de cozinha, e na frente dele existe uma infinidade de ingredientes. É necessário um verdadeiro artista pra combinar esses ingredientes e criar momentos extraordinários. E da mesma maneira que os chefs estimulam nosso paladar, o Dualib cria ambientes para os ouvidos e mente que vão tirar seu fôlego (já são quase cinco sentidos).

A habilidade de combinar samples de músicas com batidas únicas e criativas é o ponto forte dele. No EP mais recente dele, lançado em 2016, ele mixa samples com elementos de hip-hop, bass, sintetizadores e pianos que simplesmente fluem.

Nesse EP, entitulado “Auroras“, composto de 4 músicas, ele começa com uma música chamada “Morning Sex”. Uma suave batida de hip-hop, criada principalmente por um ritmo constante de bumbo e caixa, combinado com um piano maravilhoso. Isso tudo combinado faz uma música sexy, em perfeita sincronia com o título.

“Snooze”, a segunda música do album cria o clima para aquela manhã depois de uma noite em claro. As notas do sintetizador combinadas com uma bateria perfeita no contratempo, e pausas nas horas certas.

“Sunday Morning”, mostra como o Dualib sabe capturar a essência das suas músicas e fazer disso o título delas. As batidas nessa música são extraordinárias, com palmas características que marcam o tempo e ao mesmo tempo preparam a cena para um conjunto de sintetizadores entrarem e arrebatarem a mixagem e criarem uma perfeita manhã de domingo. A música simplesmente flui.

E a última música, você possivelmente vai notar um tema em comum no album. “Sunny to Cloudy” é o fim perfeito para o EP perfeito. Eu amo como a música dá uma leve “travada” no começo, criando uma sensação de disco riscado, apenas pra te levar ao suave ritmo do hip-hop. Mas o elemento principal que me cativa nessa música é como ele consegue combinar tantos sons e batidas que separadas parecem fora do tempo, mas que alinham perfeitamente quando são combinadas.

Dualib também é co-fundador do SNTL Sounds – não deixem de conferir a página do Facebook desse projeto, aonde ele e o Minizu lançam novas mixagens toda semana curadas por eles.

E, é claro, não deixem de seguir a página do Dualib no Facebook pra acompanhar seu trabalho. Você também pode seguir ele no Soundcloud e Mixcloud.

Confie em mim. Você vai escutar as músicas dele em repeat.

Escute no Soundcloud:

Leo Melo – Bucket List Music UK
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The Corrs – White Light (Review do Album)

Escrever sobre essa banda tem uma carga de responsabilidade. Como um contribuinte do site The London Ginger, os leitores precisam saber que essa é uma das bandas favoritas dela de todos os tempos. Parte da história dela e de quem ela é. E o que posso dizer sobre isso é: eu entendo completamente esse amor.

Desde sua origem nos anos 90, a banda Irlandesa The Corrs é um sucesso. Em 2015 eles lançaram seu sétimo álbum de estúdio chamado “White Light” depois de uma pausa de 10 anos, e continuam a demonstrar sua imortalidade e seu espaço na história da música.

A primeira coisa que preciso mencionar: é muito difícil encontrar músicas que transportam o ouvinte para as origens e cultura de onde a banda começou. Claro que é impossível conhecer todas as músicas existentes, mas o The Corrs é definitivamente uma banda que faz música com uma pitada de Irlandês.

E o album mais recente, que é o assunto desse review, não é nada diferente. As irmãs (e irmão) fizeram mais um lindo album que começa com uma das minhas músicas favoritas do disco chamada “I Do What I Like”. Já nas primeiras notas da guitarra e vozes, o que vem a mente é – “isso é The Corrs, não é?!”. Uma música pop com um ritmo delicioso e palavras brilhantes sobre individualidade. Afinal de contas, “it’s my life, I do what I like” (“é minha vida, eu faço o que eu quiser”).

A música que dá nome ao álbum, “White Light”, tem uma peculiaridade, que eu sou fanático quando encontro. Eu admiro muito músicas que levam você a algum lugar, que nos lembram de um cheiro, cor, pensamento…muito parecido com a história da música “Sonata Ao Luar” do Beethoven, que dizem ter sido composta para uma mulher cega que sonhava em “ver” a lua brilhando. E essa música me lembra justamente uma “luz branca” (um tipo estranho de sinestesia, talvez). Uma música pop com pequenos elementos eletrônicos (gravados acusticamente), criando um clima dançante e fácil de cantar.

E, nesse review não poderia faltar menção às homenagens à Irlanda – as músicas “Ellis Island” e “Gerry’s Reel” são duas maravilhosas canções que contam histórias. E apesar de ser apenas instrumental, “Gerry’s Reel” é um dos melhores exemplos desse álbum com verdadeiras raízes Irlandesas. E o The Corrs é bem conhecido por incluir músicas tradicionais da Irlanda nos seus discos e shows.

Recentemente eu tive a oportunidade de assistir uma apresentação ao vivo do The Corrs no London O2 Arena. Apesar de estar sentado bem afastado do palco, eu fiquei impressionado não apenas com o som, mas a apresentação foi de tirar o fôlego. Uma banda empolgada que mostrou que amor verdadeira dura pra sempre e que uma reunião entre músicos e fãs depois de 10 anos é uma cena linda de se testemunhar.

Eu posso honestamente dizer que, apesar de recente, já sou um enorme fã da banda. Letras lindas e músicas fascinantes – não podia ficar melhor. E como eu sempre digo – reserve um momento da sua vida corrida e curta esse disco. E depois o anterior, o antes desse, e o anterior, e o anterior…bem…acho que vocês entenderam!

Escute no Spotify:

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Live On Two Legs – Pearl Jam (Review Shots – Albuns Classicos)

Como escrever de um dos seus álbuns favoritos de todos os tempos? Parecem não existir palavras o suficiente para descrever cada sentimento que você tem quando escuta ele de novo. Todas aquelas sensações retornam, memórias, lugares, e o mundo parece parar. Nada mais existe além de você e aquelas músicas.

Estou falando de um album ou sobre amor? Acho que ambos.

O Pearl Jam sempre foi uma banda que, pra mim, sempre foi melhor ao vivo do que no estúdio. E antes que eu seja mal interpretado, os álbuns de estúdios são geniais e lindos. Então imagina como me sinto sobre os álbuns gravados ao vivo. Na verdade chegaram a lançar uma coleção de albums gravados durante toda uma turnê. Eu ainda preciso pesquisar aonde acho esses discos, mas lembro que a primeira vez que vi eles me senti no paraíso musical. E cada album era vendido separadamente, o que eu acho perfeito.

Esse album tem grandes clássicos do Pearl Jam como Even Flow, Daughter, Black, Given to Fly, Do The Evolution e muitas outras. Músicas que realmente mexe com uma pessoa – de diversas maneira – alegria, felicidade, tristeza – ou simplesmente a extrema necessidade de balançar a cabeça como um verdadeiro fã do grunge.

Eu poderia escrever páginas e páginas sobre esse disco. Mas eu tenho uma sugestão melhor. Vá escutar ele. AGORA!

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The Desired Effect – Brandon Flowers (Review do Album)

The desired Effect cover

Brandon Flowers abraça os anos 80! Não existe melhor descrição para o seu segundo trabalho solo.

O conhecido internacionalmente front-man do The Killers mostra seu lado pop nesse novo album, que foi produzido pelo ganhador do Grammy Ariel Rechtshaid – cujo portfólio inclui Taylor Swift, Haim, Carly Rae Jepson e muitos outros.

Esse album é uma clara influência de artistas como Duran Duran e Pet Shop Boys.

Após um disco pesado e dark com o The Killers (Battle Born), Brandon deixa a guitarra pesada de lado e cria um album fundado em sintetizadores e samples.

Apesar de ser muito bom de escutar, é difícil apontar uma clara definição deste album, aonde apenas é possível saber que se trata de um trabalho do Brando Flowers por causa da sua voz exclusiva.

A primeira música “Dreams Come True” parece uma transição do Brandon Flowers do The Killers para a sua aspiração como artista pop. Batidas da percussão combinadas com metais e backing vocals femininos parece lentamente transportar o ouvinte daquilo que conhecemos como The Killers…para nos trazer para “Can’t Deny My Love”, uma música com base de sintetizadores no início e uma pegada que transporta no tempo, direto para uma batida dos anos 80 e elementos eletrônicos.

Em certos momentos chega até a mergulhar levemente em outras décadas e mistura anos 50 e 80, como a música “Diggin’ Up The Heart” – com batidas de rockabilly. Resumindo, um album bem variado que mostra a transição do Brandon Flowers para o pop, e muito bom de ouvir. Afinal, uma mudança as vezes é bom.

Drones – Muse (Review do Album)

Muse Drones
Sempre que escrevo ou falo do Muse, eu não consigo evitar um toque pessoal no review. Apesar de ter descoberto a banda tarde (tendo inclusive ido a um show deles sem conhecer uma música sequer), I acredito piamente que se trata de uma banda que será plenamente compreendida e apreciada do jeito que ela merece, somente anos pra frente. Me remete a Mozart, que apesar de apreciado em seu tempo, o verdadeiro gênio do compositor foi notado apenas anos depois.

Agora – falando do album. Após um lançamento incrível e perfeito como The 2nd Law foi em 2012, com vocais desafiadores e um incrível trabalho dos metais, este último album falhou em entregar a qualidade inigualável da banda.

Como claras influencias de Rush, Yes e até mesmo Genesis (a música “Reapers” é sem dúvida uma referência a bateria do Phil Collins, seguido imediatamente pela guitarra progressiva do Rush), a linha experimental continua, mas sem muito “punch” – aquela pegada que cria aquela “necessidade” de escutar Muse – como se houvesse um vazio no seu dia ou para dar sentido/trilha para a vida real.

Mas, para não desencorajar os fãs de Muse, as duas primeiras músicas – “Dead Inside” e “[Drill Sergeant]” – são um testamento do que eles realmente são – uma banda que vai além sem ser exagerada. Intenso riffs de guitarra, incríveis fills de bateria que preenchem a música e a linha de baixo que fazem seus fones de ouvido pularem. Sem falar nas inconfundíveis notas agudas do Matthew Bellamy. E – sendo Muse, escutar é obrigatório.

How Big, How Blue, How Beautiful – Florence and The Machine (Review do Album)

Florence cover

Você tem uma vitrola? Um toca vinyl? Ou simplesmente um CD player (que é o suficiente considerando que estamos na era do streaming)? Por favor reserve um tempo do seu dia e escute esse álbum de ponta a ponta! E não enquanto está correndo ou cozinhando – deixe as tarefas de lado e dê sua total atenção escutando esse álbum. Por que é uma experiência. Para falar a verdade, essa experiência musical pode ser dita de qualquer disco da Florence and The Machine. Mas esse disco em particular leva a música para um novo nível (mais uma vez). O brilhantismo, o treble, o movimento e a beleza da voz da Florence Welch é algo realmente iluminador. A música dela faz você parar e escutar, sem nem perceber. Já nos primeiros segundos, a música cativa, composta e arranjada de maneira brilhante, de tal maneira que o disco lembra uma performance de dança. Tem movimento.

Imediatamente, a primeira música, “Ship Wreck”, é uma perfeita introdução para o álbum – uma ótima introdução com kick e pegada – o suficiente pra te transportar para a segunda música, e um dos singles principais “What Kind Of Man”, que é embelezada pelo trabalho da voz, percussão e riffs de guitarra. Sem falar que se trata de uma música que vale a pena assistir o vídeo clip – o movimento corporal no vídeo é chave no profundo significado da música.

A música que dá nome ao álbum “How Big, How Blue, How Beautiful” atesta a sensação de que cada música depende e puxa a outra.

Existe muito mais que posso descrever e analisar – mas não existe melhor review ou sugestão do que dizer: sente, aperte o play (ou coloque a agulha) e aproveite o deleite que é escutar tanta beleza, que torna inevitável a falta de palavras pra descreve-lo.