The 1975 – I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It (Review do Album)

Arte é cíclica. As gerações vão envelhecendo, a sensação de nostalgia se instala de tal maneira que não conseguimos fugir da necessidade de buscar os “bons velhos tempos”. E isso as vezes significa voltar a um período que nem éramos nascidos, mas nos sentimos tão apegados (talvez por que nossos pais ou avós nos apresentaram eles), que é impossível não olhar pra trás.

Apesar de estar apenas chegando aos meus 30 anos, esse sentimento tem me envolvido atualmente.

É difícil avaliar o atual cenário musical. E eu digo isso da melhor maneira possível. É minha maneira pessoal de ver o fascinante fato que a tecnologia nos permitiu ser os próprios curadores do que gostamos na música.

Por causa disso eu estou constantemente procurando novas bandas que me atraem nesse multiverso. Uma banda está no topo dessa lista: a banda inglesa The 1975.

Lembra do senso de nostalgia que falei no começo? Essa banda chamou minha atenção justamente por isso.

Eu escutei essa banda pela primeira vez em um podcast que sou fanático chamado “All Songs Considered” (“Todas as músicas consideradas” em tradução literal) da NPR. Esse é um podcast que eu altamente recomendo pra todos os amantes de música. E eu lembro de pensar comigo mesmo: “essa banda será uma das próximas bandas a entrar no topo da história da música”. Isso foi há mais de 3 anos atrás – antes do primeiro album deles, quando lançaram seus primeiros EPs.

Mas nesse review vou falar do álbum mais recente deles que recebeu esse título brilhante “I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It” (“Eu gosto quando você dorme, porque você é tão lindo(a) e tão alheia a isso” em tradução literal). Muitos diriam que o título é longo, mas eu amo a poesia por trás dele.

É apenas o segundo álbum deles, mas eles já superaram todas as expectativas que circulavam por trás dele. Esse álbum é repleto de referencias sonoras dos anos 70, 80 e 90. E não apenas isso – ele faz essas décadas soarem contemporâneas. São músicas novas que trazem à tona o calor e conforto dos “bons velhos tempos”. É um verdadeiro de volta para o futuro.

O álbum todo flui naturalmente, começando com a música “The 1975”, que é quase um hino que ergue todo o disco. Ela é seguida imediatamente pela “Love Me” e seu incrível ritmo criado por guitarras, um groove de bateria e baixo e incríveis sintetizadores. E, acredite em mim, vale a penas dar uma olhada na letra – é uma ótima crítica ao atual mundo movido pelas mídias sociais, e nosso status no mundo digital.

Uma outra música incrível que vale mencionar é “She’s American”. Eu posso estar louco, mas essa música tem uma referencia enorme do “Genesis” – uma maravilhosa linha de baixo, guitarras cheias de groove, e a característica bateria recheada de delay, reverb e uma caixa bem apertada. Eu estou viciado nessa música. Não só por como ela soa, mas a letra também é brilhante, mostrando como garotas americanas enxergam os garotos britânicos (aparentemente essa música foi composta durante o tempo que a banda passou na Califórnia gravando o álbum).

“If I Believe You” é uma música linda. Ela tem um ritmo delicioso e sexy, que quase te faz querer dançar coladinho. Ela tem uma pegada de R&B, com um interlúdio acompanhando por um comovente órgão, seguido de um delicioso coro gospel no refrão. Sem falar no saxofone que abraça a música com um suave solo. E eu acho que não preciso me repetir dizendo que a letra tem que ser acompanhada.

Finalmente, eu preciso falar de um dos hits desse album – a música “Somebody Else”. Novamente, um perfeito exemplo de nostalgia. Ela é completamente uma balada eletrônica dos anos 80. Existem momentos em que o delay na voz entregam essa referencia.

Eu poderia escrever um review muito extenso desse álbum – especialmente considerando que ele tem 17 músicas. Mas um review não é nada mais que a opinião de um lunático nostálgico que está chegando nos seus 30 anos. Apenas escute essa verdadeira obra de arte – e me digam se concordam comigo. E posso honestamente dizer que, depois de passar sei lá quantos minutos escutando esse disco, a parte mais difícil é voltar à realidade depois dessa maravilhosa viagem no tempo.

Escute no Spotify:

Leo Melo – Bucket List Music UK
Twitter: @blmusicuk
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